[ARTIGO] A televisão realmente pode ser a mesma depois da bagunça de The 100?
Postagem por: Nalígia Moura

Há dois anos atrás, um assunto dominou os Trends do Twitter, os Fãs LGBTs merecem mais.

Quando The 100 matou a comandante dos clãs, lésbica, Lexa, a audiência não ficou apenas chateada, eles ficaram bravos. Esta foi a ultima gota depois de anos de personagens LGBTQ serem mortos sem piedade. Publicações Mainstream como The Washington Post, Variety e The Hollywood Reporter, todos se juntaram.

Uma campanha de arrecadações de fundos foi criada, assim como a ClexaCon, que foi um grande sucesso. Mas quando estamos falando sobre a “bagunça de The 100”, como Maureen Ryan da Variety diz, não estamos apenas falando sobre as conseqüências de matar uma lésbica. Os escritores de The 100 atraíram fãs lésbicas e bissexuais em fóruns Queer – “safe spaces” – ao ridicularizarem as preocupações válidas de suas vitimas que caíram na tropa do “Bury your gays”. Depois de o episódio ser exibido, alguns usuários influentes no twitter tiveram que postar linhas de atendimento contra suicídio, porque quando você se lembra quem é o publico algo de The 100, é além de antiético e deliberadamente manipulador atrair jovens LGBTQ que já estão passando por dificuldades na vida real e que usam a televisão como uma válvula de escape.

No entanto, em vez de refletir sobre a injustiça que muitos fãs sentiram que enfrentavam, nós só podemos olhar para frente. A representação LGBTQ está em constante evolução na televisão… ou é isso? Eu fui para o twitter para descobrir o que as pessoas pensam. Foi no twitter que tudo isso começou; O twitter terá sua voz ouvida mais uma vez. Eu perguntei:

1.) Com a vergonhosa “bagunça da Lexa” como vocês avaliariam, brevemente a representação LGBTQ, na TV agora? Especialmente, como vocês acham que a morte da Lexa afetou essa representação LGBTQ? O que ainda falta e o que melhorou, desde o impacto da morte da Lexa? Se é o caso?

Os fãs responderam quase que instantaneamente. Aqui é o que alguns deles disseram:

“Eu acho que a morte da Lexa certamente aumento a consciência de algo que os escritores
eram ignorantes como sendo um problema repetitivo ou uma atividade ignorada para um final
mais conveniente /falta de criatividade para um final de uma história de amor lésbica. O
resultado da morte da Lexa fez com que seja impossível de ignorar isso.”

“Ainda estou traumatizada. A morte da Lexa realmente trouxe atenção para o “Bury your
trope” (a morte dos gays). Parece que é um padrão vicioso que está sendo feito de modo
exagerado. As mentiras, iscas e decepções ainda continuam. Alguns atraem os LGBTQ para
assistirem suas séries apenas por lucro.”

“A morte da Lexa afetou claramente a representação LGBTQ na TV. A enorme reviravolta
obrigou a grande mídia a tomar nota e, posteriormente, pressionaram os criadores/líder dos
seriados para discutirem o tratamento dos personagens LGBTQ de maneira que foram
previamente autorizados a obter um passe para.”

“A morte inútil e cruel da Lexa teve o poder de diminuir o número de hipotecas entre os
personagens LGBTQ, mas, além disso, não melhorou a qualidade da representação e eu não
pude amar um novo personagem LGBT porque tenho medo de sofrer novamente.”

“Claro que teve um impacto, mas a vida da Lexa teve um impacto maior. Nós não vamos
conseguir mais consciência para o que é boa representação, enquanto os escritores escaparem
com tropos e estereótipos nocivos. Ouça, repense, reescreva, encontre uma maneira. Seja
responsável, envie a mensagem certa.”

A principal idéia de tudo isso infelizmente, eu não acho que possamos esperar uma representação perfeita em todas as frentes ainda. O mundo é muito diversificado em termos de etnia, raça, sexualidade, deficiência… todos os tipos. Mas em vez de discriminar por causa dessas individualidades, por que não comemorar isso?

Parece que o consenso geral é que, embora o tratamento do “incidente da Lexa” não tenha sido ótimo, tudo em seguida foi. De certa forma, é uma vitória. Uma tragédia sempre permanecerá uma tragédia, mas se ela inspira tal generosidade, apoio e amor compartilhado a comunidade, sim, entre uma multidão de estranhos na internet, então, talvez nós, não sejamos viciados em mídias sociais por todos os motivos errados. Em alguns casos, como se viu nos tweets acima, os fãs estavam tão ligados a Lexa e o que ela queria dizer como símbolo, que eles não podiam ver a representação LGBTQ da mesma maneira novamente. E isso é uma pena, porque há excelentes meios de comunicação la fora.

One day at a time, Brooklyn Nine-nine e Legends of Tomorrow, por exemplo. Mas não é difícil simpatizar aqui, porque pela milésima vez: a televisão não é um vácuo. Os espectadores são pessoas reais; alguns são tão jovens.

A vulnerabilidade está na vanguarda e até a televisão melhorar seus padrões de representação, talvez essa vulnerabilidade permaneça na vanguarda. Não quer dizer que a televisão não tem, mas ainda tem um caminho compreensivelmente longo a seguir. No entanto, o que os fãs fizeram, tão sensivelmente, é continuar com o legado da Lexa. A Lexa sempre foi uma personagem altruísta. Não há nada que se possa fazer sobre a morte, além de decidir o que você aprende e tira disso. Lexa deixou um legado de amor, e os fãs abraçaram isso. A prova disso são as campanhas de arrecadações de fundos, na ClexaCon, nos brindes e na produção de algumas coisas incríveis de fãs. Os legados ficam, sim. Mas o que realmente importa é o que você faz com esse legado. E neste
caso, penso que a mensagem de amor foi ouvida em voz alta, triunfante e claramente.

Ah, temos um longo caminho a percorrer, mas as rodas do nosso comboio LGBT estão, definitivamente, em movimento. Agora, esperamos um Tesla de arco-íris para nos lançar em um mundo verdadeiramente representativo da diversidade de beleza com que somos tão abençoados todos os dias na vida real.

Nicola Choi sobre a representação LGBTQ, a morte dos personagens gays e o legado duradouro da Lexa.

Tradução e Adaptação, Cláudia Facci – ADCBR.

Fonte: