Em ‘Fear The Walking Dead’, zumbis são secundários.
Postagem por: Nalígia Moura

A série, agora em sua segunda temporada, retrata três famílias no começo do ‘surto’ conforme deixam de lidar com problemas do dia-a-dia e passam a lidar com o fim do mundo.

No mundo da televisão, spin-offs são dificilmente algo novo. Então, talvez não seja surpresa que a série pós-apocalíptica incrivelmente popular The Walking Dead tenha produzido um prelúdio.
“Estamos seguindo um legado de séries que expandem seu universo,” diz Colman Domingo, uma das estrelas de Fear The Walking Dead.
Admitidamente, não é tão normal ver um spin-off progredir enquanto sua série-mãe ainda está em andamento. Criada por Frank Darabont, TWD ― que veio da série de quadrinhos de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard ― está para começar sua sétima temporada em Outubro.
Enquanto isso, FTWD está prestes a retornar com o episódio 8 da segunda temporada. “Somos um elenco principal pequeno comparado a The Walking Dead,” diz Domingo, que interpreta Victor Strand.
“Somos oito. Tem uma sensação de intimidade e conectividade. Estamos fazendo um drama familiar “mamãe e papai” que acaba tendo ‘caminhantes’.”
Ah sim ― os caminhantes; o nome coloquial de TWD para as criaturas que já foram humanas e agora se deleitam com carne humana. Mas para aqueles que se deixam assustar por esse horror, pense novamente.
“Os zumbis e os infectados são praticamente uma história secundária, especialmente nessa série,” diz a atriz australiana de 23 anos, Alycia Debnam-Carey, que interpreta Alicia Clark.
De fato, ela está certa. Caso você ainda vá pular dentro dessa, a série está localizada nos primeiros dias do surto do patógeno não identificado que causa os “infectados”, como são curiosamente conhecidos em FTWD.
Aqueles que acompanharam os primeiros seis episódios da primeira temporada e a primeira metade da segunda saberão que a série começa com três famílias: os Clarks, os Manawas e os Salazars, assim como o excêntrico de Domingo, o rico Victor Strand.
Você também saberá que é situado na costa oeste dos Estados Unidos, começando em Los Angeles e indo para o México na segunda temporada ― levada para longe da localização na Georgia de TWD ― e que os episódios são feitos no mesmo período do coma prolongado do qual o xerife Rick Grimes, de Andrew Lincoln, acorda no primeiro episódio da primeira temporada de TWD.
Em outras palavras, ninguém sabe de nada (e, caso você esteja se perguntando, os co-criadores de FTWD, Robert Kirkman e Dave Erickson, não têm intenção de dizer o que começou essa epidemia).
“Nosso grupo é muito, muito cru e sujeito aos caprichos desse novo mundo,” diz Debnam-Carey. “Eles definitivamente não são super-heróis de maneira alguma.”
Você não encontrará alguém tão realizado quanto Grimes ou a lendária Michonne, de Danai Gurira, a “princesa guerreira e durona segurando uma espada samurai”, como Debnam-Carey a chama. “É uma coleção de pessoas bastante diferente.”
FTWD mostra a transição embrionária entre lidar com problemas do dia-a-dia e ser testemunha do fim do mundo. “É sobre descobrir quem você é quando está no meio de algo como isso, e quem você se torna,” diz Domigo, de 46 anos de idade.
“Então é mais investigativo quando se trata de quem somos como seres humanos. Os ‘caminhantes’, os infectados, estão apenas no caminho ― são só um obstáculo. Aqui vem outro e está tentando me morder!”
Olhe a personagem de Debnam-Carey ― a adolescente angustiada e superprodutiva Alicia Clark, irmã do viciado em heroína Nick (Frank Dillane) e filha da orientadora de colegial e viúva Madison (Kim Dickens).
“Para a primeira temporada, ela era bastante reativa em muitas maneiras e sujeita aos caprichos de seu irmão e sua mãe e então, claro, a queda de Los Angeles e a civilização. Ela estava apenas lidando com como isso afeta tudo e o que ela achou que sua vida seria,” diz a atriz.
“Agora estamos vendo ela evoluir para um tipo de nova guerreira do apocalipse.”
Talvez “guerreira” seja uma palavra forte, mas como Debnam-Carey corretamente aponta, Alicia tem umas das melhores habilidades de sobrevivência do grupo.
“Ela fala espanhol fluentemente desde a escola; começamos a aprender que ela pode ter um pouco de conhecimento médico e ela é uma pessoa esperta e jovem. Então, acho que ela tem bastante coisa acontecendo com ela. E começamos a vê-la realmente se revelar, criar suas próprias escolhas e tomar suas próprias decisões, especialmente na segunda metade dessa temporada.”
O que é intrigante sobre posicionar FTWD como um prelúdio estabelecido nas semanas antes de TWD começar sua história é o quão mais os fãs da série sabem sobre o mundo pós-apocalíptico que os personagens.
“O público está muito mais na frente do jogo que nós, e estamos apenas tentando entender as coisas,” diz Domingo. “A certa altura, estamos pensando, ‘Como vou parecer? Quais são minhas qualidades? Vou virar um super herói de alguma maneira ou não irei sobreviver?’ Essas são as questões que o público também está se perguntando, e isso é interessante.”
O que é surpreendente é como a fascinação do mundo por zumbis permanece tão firme quanto sempre foi. Já foram 12 anos desde Todo Mundo Quase Morto, comédia com zumbis de Edgar Wright, e Madrugada dos Mortos, o remake de Zack Snyder, revitalizaram o interesse no subgênero; já neste ano nos cinemas, vimos o híbrido de Jane Austen, Orgulho e Preconceito e Zumbis.
“Para ser honesta, eu não esperava que essa mania durasse tanto quanto durou. Estou surpresa,” diz Debnam-Carey. “Acho que tem algo coletivo subconscientemente, o mundo se expurgando. Acho que os seres humanos estão sempre fascinados com a destruição mórbida e nossa mortalidade… a fragilidade da vida.”
Com relatórios sobre o surto da propagação do Zika vírus nas Américas, é impossível não considerar que a vida humana é uma coisa muito delicada, de fato. Domingo discute que desde os primeiros filmes de zumbis por George A. Romero, como A Noite dos Mortos Vivos, até séries como FTWD, elas fazem perguntas filosóficas sobre as próprias fundações que nos fazem humanos.
“Você ainda consegue ter fé quando não existe mais estrutura? Como você recria isso, recria a família? São todas essas questões no centro de quem somos. Por isso essas coisas são tão populares.”
Independentemente de quanto tempo a mania por zumbis irá durar, os personagens podem não estar aqui para ver.
“Você quase tem medo de uma ligação do produtor Dave Erickson,” diz Domingo com uma risada. “Se ele te chamar para uma reunião, você pensa, “Por favor, não diga que o personagem vai morrer!” Assim é a vida quando você está estrelando numa série onde os personagens podem ser rasgados por zumbis a qualquer momento. “Mas se ele vai morrer, espero que seja pelo bem da história. E espero que ela parta espetacularmente.”
A segunda temporada de Fear The Walking Dead retorna em 21 de Agosto.

Tradução e Adaptação ADCBR. 

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