A vida e a morte de Lexa
Postagem por: Nalígia Moura

Jason publicou um texto onde fala sobre a morte de Lexa e pede desculpas ao fãs por ter  Lexa ter sido morta logo depois de uma cena de amor com a Clarke. Traduzimos o texto completo, confira!

Desde que o episódio “Thriteen” foi ao ar três semanas atrás, eu tenho passado um bom tempo lendo cartas, blogs, tweets e artigos de mulheres e homens de todas as idades apaixonados que estavam bravos e chateados que a personagem Lexa foi imediatamente morta depois de uma cena de amor com a nossa heroína Clarke. Eu ainda estou processando isso, eu ainda estou aprendendo. Mas eu tenho obtido perspectiva e mais do que nunca, eu sou profundamente grato a todos vocês, nossos fãs.
Nenhuma série, nenhum episódio de televisão existe em um vazio. Como uma audiência, nós trazemos conosco nossa experiência de vida, acontecimentos da época e a memória coletiva de todas as histórias que nós fomos entretidos por ou não. Toda relação. Toda cena de amor ou ato de violência. Toda revelação ou clichê. Toda história original e, sim, todo tropo. Os piores shows reformaram a fórmula. O melhor clichê transcende, abrir nossos olhos para novas maneiras de pensamento, e acolher novos públicos.
Para muitos fãs de The 100, a relação entre Clarke e Lexa foi um passo positivo de inclusão. Eu tomo um orgulho enorme nisso, também com o fato de que nosso show está indo para a quarta temporada com uma personagem principal bissexual e um elenco diversificado. A honestidade, integridade e vulnerabilidade que Eliza Taylor e Alycia Debnam-Carey trouxeram para suas personagens serviram como uma inspiração para muitos de nossos fãs. O relacionamento delas teve grande importância que até mesmo eu percebi. E esta representação importante foi tirada por uma bala perdida.
O pensamento por trás de ter uma tragédia final após um momento de felicidade era para aumentar o drama e ressaltar a fragilidade universal da vida. Mas o resultado final se tornou algo completamente diferente – a perpetuação do perturbador tropo de “enterrem os gays”. Nossa promoção do episódio e dessa relação, somente abasteceu um sentimento de traição.
Enquanto agora eu entendo porque essa desaprovação apareceu no nosso caminho, me deixa de coração partido. Eu prometo a você, enterrar, atrair ou ferir alguém nunca foi nossa intenção. Não é quem eu sou.
No mundo da série, ninguém está a salvo e qualquer pessoa, mesmo um personagem adorado pode morrer a qualquer momento. Minhas séries preferidas nesse gênero abraçam um senso similar de urgência elevada. Há severas razões do porque esse episódio foi filmado dessa maneira: prático (a atriz estava saindo da série), criativo (é uma história sobre reencarnação) e temático (é um show sobre sobrevivência). Apesar de minhas razões, eu ainda escrevo e produzo televisão para o mundo real onde negatividade e metáforas dolorosas existem. E eu sinto muito por não ter reconhecido isso tanto quanto eu deveria. Sabendo tudo que eu sei agora, a morte de Lexa teria sido filmada de forma diferente.
The 100 é uma tragédia pós-apocalíptica estabelecida 130 anos no futuro. É uma luta constante pela vida e morte. No nosso show, todas as relações começam com uma pergunta: ‘Você pode me ajudar a sobreviver hoje? ’ Não importa a sua cor, seu gênero, ou se você é gay, bissexual ou heterossexual. As coisas que hoje nos dividem globalmente não importam nesse show. E essa é a beleza da ficção científica. Nós podemos fazer um ponto de vista sem pregar. Nós podemos dizer que raça, sexualidade, gênero e deficiência não devem nos dividir. Nós podemos elevar nosso pensamento e levar você numa excelente jornada ao mesmo tempo.
Mas eu fui poderosamente lembrado que a audiência assume o controle no mundo real – onde jovens LGBT encaram discriminações repetitivas, sofrem frequentemente de depressão e cometem suicídio num nível muito mais alto do que os seus colegas heterossexuais. Onde pessoas ainda sofrem discriminação por causa de sua cor de pele. Onde, em muitos lugares, mulheres não recebem a mesma oportunidade que os homens, especialmente mulheres LGBT que enfrentam realidades ainda mais difíceis. E onde personagens televisivos ainda não estão completamente representativos das diversas vidas de nosso público. Não chega nem próximo.
Aqueles de nós que são sortudos o suficiente de ter uma plataforma para contar histórias tem a oportunidade de expandir os limites da inclusão e nós não devemos tomar isso como normal.
Para aqueles de vocês que estão perguntando onde o caminho da série irá, The 100 é um show onde pessoas não superam as coisas rapidamente. Isso serve tanto para danos físicos quanto para emocionais. Clarke está vivenciando a profunda perda de alguém que ela amou e ela carregará essa perda consigo para sempre. A minha esperança sincera é que qualquer um de nossos fãs que viu uma parte de si na relação entre Clarke e Lexa possa levar algum pequeno conforto em saber que seu amor era lindo e real.

 

Tradução e adaptação por Alycia Debnam-Carey Brasil – Fonte